O Poder Oculto das Suas Crenças: A Conversa que Define o Seu Futuro

Imagine que a sua mente é o roteirista de um filme: o filme da sua vida. Todos os dias, esse roteirista escreve diálogos, cria cenas e define o papel do personagem principal — você. A pergunta fundamental é: o que esse roteiro diz sobre você? As crenças são exatamente isso: o roteiro interno que seguimos, muitas vezes sem perceber. Elas são a fé que depositamos em certas ideias, e essa fé pode tanto construir pontes para nossos sonhos quanto erguer muros que nos aprisionam.

De Onde Vêm Nossas Crenças? A Arquitetura da Nossa Mente

Ninguém nasce acreditando que é incapaz de aprender um novo idioma ou que não merece um relacionamento saudável. Essas crenças são construídas ao longo do tempo, como uma casa, tijolo por tijolo.

  • A base familiar: Nossos pais e cuidadores são os primeiros arquitetos. Uma criança que, ao derrubar um copo, ouve repetidamente “Você é muito desastrado!”, pode carregar para a vida adulta a crença “Eu não sou bom com tarefas manuais”, evitando cozinhar ou consertar coisas simples. Em contrapartida, uma criança incentivada a fazer perguntas, ouvindo “Que ótima pergunta!”, desenvolve a crença de que sua curiosidade é uma força.

  • As experiências de vida: Um projeto que deu errado no trabalho pode solidificar a crença “Eu não sou um bom líder”. Um término de namoro doloroso pode gerar a ideia de que “Relacionamentos sempre acabam em sofrimento”. Nossas vitórias e derrotas se tornam “provas” que validam (ou deveriam invalidar) essas regras internas.

O Ciclo Vicioso da Profecia Autorrealizável

Crenças limitantes são perigosas porque funcionam como profecias autorrealizáveis. Se você acredita profundamente que “Eu sou péssimo com dinheiro”, suas atitudes irão, inconscientemente, confirmar essa verdade. Você evitará olhar o extrato bancário, não buscará aprender sobre investimentos e talvez até faça compras por impulso, pensando “de que adianta, eu sempre me atrapalho mesmo”. O resultado? Dificuldades financeiras que reforçam a crença original. O ciclo se fecha, e você pensa: “Viu? Eu estava certo”.

Como Desconstruir os Muros e Construir as Pontes

Transformar uma crença limitante em uma crença fortalecedora é um processo, não um passe de mágica. Exige coragem e método.

  1. Identificar o Pensamento Automático: O primeiro passo é a escuta. Preste atenção na sua voz interna em momentos de desafio. Quando uma vaga de emprego interessante aparece, qual é o primeiro pensamento? “Nem vou tentar, eles procuram alguém melhor” ou “Eu não tenho todas as qualificações”? Esse é o pensamento a ser investigado. Fique atento a palavras absolutistas como “sempre”, “nunca”, “tudo” ou “nada”.

  2. Investigar e Questionar a “Verdade”: Trate sua crença como um detetive. Se a crença é “Eu não sou criativo”, questione-a:

    • Isso é 100% verdade, sem exceção?

    • Houve algum momento na minha vida em que resolvi um problema de forma original ou tive uma ideia diferente? (Talvez ao decorar um cômodo, ao cozinhar sem receita ou ao encontrar um atalho no trânsito).

    • Quem me disse isso pela primeira vez? Essa pessoa era uma autoridade absoluta em criatividade?

  3. Assumir e Ressignificar: Negar a crença ou culpar os outros não funciona. O poder está em assumir: “Ok, por muito tempo eu acreditei nisso e isso me prejudicou”. A ressignificação é a troca consciente de roteiro.

    • Crença Limitante: “Já passei da idade para começar uma carreira nova.”

    • Crença Fortalecedora: “Minha experiência de vida me dá uma perspectiva única e maturidade para iniciar essa nova jornada com mais sabedoria.”

Aviso: Cuidado com a “Positividade Mágica” das Redes Sociais

É impossível falar de crenças sem esbarrar no “papo de coach” que inundou a internet. Frases como “O universo conspira a seu favor!” ou “Se você pode sonhar, você pode realizar!” são vendidas como soluções fáceis.

Embora a intenção seja boa, essa abordagem é perigosamente simplista. Ela ignora desafios reais: desigualdade social, falta de recursos, questões de saúde mental e os inevitáveis obstáculos do caminho. A verdadeira transformação não é sobre ignorar o negativo com um otimismo tóxico, mas sim construir resiliência para lidar com as dificuldades. Mudar crenças é um trabalho de autoconhecimento, que exige estratégia e autoaceitação, e não apenas força de vontade.

Exemplos Comuns de Crenças que nos Sabotam:

Veja se você se identifica com alguma dessas “verdades” internas:

  • Sobre Carreira e Dinheiro: “Para ganhar bem, preciso me sacrificar e odiar meu trabalho”, “Falar sobre dinheiro é feio”, “Eu não nasci para liderar, prefiro ficar nos bastidores”.

  • Sobre Relacionamentos: “Se eu mostrar quem realmente sou, as pessoas não vão gostar de mim”, “Todo mundo encontra alguém, menos eu”, “Preciso de um parceiro para ser feliz”.

  • Sobre Capacidade Pessoal: “Eu não levo jeito para exercícios físicos”, “Eu não sou uma pessoa interessante”, “Já é tarde demais para aprender a tocar violão”.

Vamos Exercitar? Seu Laboratório Pessoal de Crenças

Reconhecer e mexer nessas questões pode ser desconfortável, mas é um movimento que liberta. Tente este exercício prático:

  1. Liste: Anote 2 ou 3 frases que você repete para si mesmo e que o limitam (Ex: “Eu sempre procrastino o que é importante”).

  2. Investigue a Origem: Tente lembrar quando começou a pensar assim. Foi após uma experiência específica? Alguém importante repetia isso para você?

  3. Encontre a Contradição: Pense em pelo menos uma situação em que você agiu de forma diferente. Uma vez que você não procrastinou e entregou algo no prazo, sentindo-se orgulhoso. O que você fez de diferente naquela ocasião? Isso prova que a crença não é uma verdade absoluta.

  4. Construa uma Nova Crença: Crie uma frase positiva, realista e fortalecedora para substituir a antiga. (Ex: “Eu sou capaz de focar e concluir minhas tarefas quando organizo meu tempo e entendo a sua importância.”).

  5. Pratique a Repetição: Coloque essa nova frase em um lugar visível. Repita-a para si mesmo, especialmente quando o pensamento antigo surgir. A repetição consciente ajuda a criar um novo caminho neural no cérebro.

A jornada para reescrever seu roteiro interno não é fácil, mas é a mais importante que você fará. Você não precisa acreditar, como o analista brilhante que sempre recusa oportunidades de liderança, que a sua voz não merece ser ouvida em uma sala de reunião. Ele se convenceu de que “não nasceu para liderar”, quando na verdade, nunca se deu a chance de desenvolver essa habilidade.

Ao desafiar suas crenças, você não muda quem você é. Você finalmente permite que seu verdadeiro potencial apareça.

Saudações,

Alex Rudson M. Vilhena

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